Desisti do blog faz tempo, mas não é sobre isso que eu preciso escrever.
Desisti de muitas coisas esse final de ano, entre elas, da companhia de gente que não faz questão nenhuma de estar comigo. Desisti de comer carne também (faz um tempinho), o que tem tanto significado quanto ter desistido de algumas pessoas, porque eu desisti de fazer parte da morte de bichinhos que não tem nada a ver comigo.
É difícil desistir de pessoas, na hora parece que você tá sendo mesquinho, covarde, fraco. Pior ainda é ficar lutando por alguma coisa que nunca vai dar em nada e você sabe. A minha desistência foi um ato de amor-próprio, porque ninguém nunca me perguntou como eu me sentia ou se importou com os meus problemas, a única pessoa que pode colocar um fim a essa dependência doentia de atenção sou eu.
Bom, vamos a história:
Eu nunca tive uma família feliz e perfeita, mãe, pai, irmãos, casa de vô e vó pra ir no final de semana. Mesmo assim, tive uma educação muito melhor do que a maioria das pessoas que eu conheço que tiveram tudo isso. Cresci, bonitinha, sem pai mas com uma mãe que vale por todas as mulheres que eu já conheci na vida, guerreira, que conseguiu me dar tudo o que eu precisei sem nunca demonstrar quão difícil foi, que sempre foi sincera comigo e me explicou tudo o que eu quis saber mesmo quando eu era pequena demais pra entender. O tempo passou e minha família cresceu, ganhei pai, madrasta, irmã, meia irmã, meio irmão, tia, tio, primxs e mais um milhão de gente querida que surgiu meio de repente. Foi lindo, legal, incrível, fiquei muito feliz em ver que tinha tanta gente que gostava de mim mesmo sem me conhecer! Fiquei tão eufórica que esqueci a minha outra família, que eu já tava cansada de conviver e que eu conhecia tão bem que achava chata. O tempo passou e eu fui percebendo que o espaço que eu tinha pra ocupar na minha família nova era limitado e tinha data de validade. É por isso que eu acho que pior do que ter e perder ou nunca ter tido, é achar que tem e na verdade estar se iludindo. Aconteceu comigo, infelizmente eu demorei bastante pra perceber.
Eu nunca vou me esquecer de quando eu quebrei o braço. Foi na escola, eram 8 horas da manhã e minha mãe chegou lá em 5 segundos (mentira, não lembro, estava desmaiada). Tive que fazer uma cirurgia e ia colocar um pino no braço, acabou que conseguiram colocar o meu braço no lugar e eu só fiquei uma eternidade usando gesso. Minha mãe ficou no hospital comigo, eu fiquei o dia inteiro, das 8 da manhã as 8 da noite sem comer, minha mãe cuidou de mim, me aturou com fome (a única pessoa do mundo que conseguiu) e quando eu entrei na cirurgia ela estava lá, ficou morrendo de medo junto comigo e me esperou acordar quando terminou. (In?)Felizmente minha mãe não é super legal, diferentona e engraçada como a minha nova família, mas foi ela que sempre esteve lá mesmo quando eu achava que não ia precisar mas precisei. Toda a infância que eu vivi sem o meu pai não vai voltar, não que tenha sido horrível e triste, eu só cresci com espaço para um número limitado de pessoas que eu consigo amar incondicionalmente, e infelizmente atingiu a lotação máxima antes que ele pudesse (ou quisesse) fazer alguma coisa pra melhorar a situação. Como está escrito na porta do meu armário há muitos anos, uma das minhas metas de vida é "estar bem comigo mesma para atrair quem me faça bem" que nesse momento significa: Identificar o que/quem me faz mal e não alimentar sentimentos ruins. Preciso de tempo para digerir essa perda ilusória mas né, fazer o que, sou taurina e me apego demais.

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